Como eu aprendi a parar de me preocupar e a amar a democracia.

Dezembro 25, 2009

Um dia desses , eu estava em um congresso e o palestrante que falava na hora disse que “Odiava a democracia”. pois segundo ele atrapalhava muito o trabalho diário.

Eu sorri, concordei imediatamente com ele.

Como eu estava errado.

Eu achava que democracia era dar voz a todos que participavam do processo diário, escutando cada um o tempo todo.

Democracia não é isso.

Na democracia, muitos se juntam e decidem os poucos que vão decidir por eles.  No fundo, ninguém quer ficar decidindo tudo o tempo todo. Toma, teu trabalho e decidir por mim.

No Brasil, são os Deputados/Senadores que decidem.

Bem , você pode dizer, “mas no Brasil não funciona”. Mas no Brasil absolutamente NADA funciona, isso é outro problema, não tem nada a ver com democracia.

Aliás, democracia não só tem a ver com votos. Tem a ver com meritocracia. Se você sabe fazer bem algo, não precisa brigar por votos para simplesmente fazer o que você sabe.

No caso de um lider de projeto, logo o que ele decidir é o que democraticamente deve ser seguido. Não é por que ele não escutou todos sobre todos os pontos o tempo todo que ele não é democratico. Ele, por algum processo, motivo, foi escolhido exatamente para fazer isso. Aliás, quando um lider de projeto pergunta demais, ele termina sendo visto como alguém que tem dúvidas demais pra ser lider de qualquer coisa.

O que se vê normalmente como democracia não é democracia. É anarquia.


Borland – FreeAndNil

Dezembro 25, 2009

Em 2006, a Borland comprava  a Segue 100 milhões libras esterlinas.

Neste ano que termina, a Borland foi vendida a MicroFocus por 75 milhões de dolares.

Acabou, a Borland é historia.

O que aconteceu com a borland?

Simples.Ela tinha um time técnico muito bom. Tinha um time comercial muito ruim

A quantidade de coisas tronxas que ela fez durante sua existencia já deveriam ter tirado ela dos negocios no final dos anos 80.Como exemplo temos a compra da Ashton-Tate, dona do dBase, compra que ninguém sabe ao certo o motivo, pois o dBase era forte no DOS e não tinha planos para mudar para o Windows.

Também tem a  compra do WordPerfect ( Eles não tinham ideia do que fazer com ele ), o lançamento e cancelamento do IntraBuilder em menos de um ano, o open-source e des-open-source do Interbase, etc.

Por sorte, surgiu o Delphi, que se tornou seu Cash-Cow. Porém, foi tão maltratado ( Do delphi 3 até o 7 nada de novo aconteceu, a não ser o terrivel Kilyx) que não teve jeito e ela terminou vendendo toda a aréa de desenvolvimento para a Embarcadero.

A perda de Anders Hejlsberg para a Microsoft foi o inicio do final para uma empresa que não tinha a minima ideial do que fazia, do que queria, do que precisava fazer para melhorar sua condição financeira terrivelmente ruim.

A Embarcadeiro, nova dona do Delphi, vai se dar bem? Somente se um milagre acontecer. Ela parece ter sido expulsa da Nasdaq e também não saber o que fazer com os produtos que tem em mãos.


Mac Software Feliz.

Dezembro 15, 2009

Em ums dos seus twitts, Igor Macaubas fala sobre um anuncio de gerente de projeto que oferece vale transporte.

O sonho da indústria de TI é ser igual ao MacDonalds. Só ter estagiario, júniores , etc fazendo o trabalho, e um gerente por filial. E seguindo este pensamento, existem gerentes que acham que o problema da programação está ligada a velocidade de digitação, que testes são opcionais e perda de tempo, programação em par é má idéia, a produção cairia pela metade. Para se ter um exemplo deste comportamento, por um bom tempo, a IBM pagou pela quantidade de linha de código escrito. Certo dia, um programador da Microsoft reescreveu um trecho de 32.000 linhas de código em 380 linhas. Isso causou uma terrível mal-estar entre as empresas.

É um engano. a diferença de um programador de qualidade e um de baixa qualidade é maior que dez vezes tão somente em quantidades de problemas que ele resolve. E com um código não sei quantas vezes melhor.

Não é possível fazer software como o Macdonalds faz sua comida ruim, a longo prazo os softwares ruins  param de funcionar, não podem ser mais melhorados, trazem prejuízos e pedem pra ser substituídos, enquanto a comida do MacDonalds leva 24 horas para ser processada.

Não existe uma área em que o ditado “O Barato sai caro” funcione tão plenamente como o desenvolvimento de software.


Memória Afetiva

Setembro 26, 2009

Durante uma visita a Larry  , ele me chamou para o computador, e a me mostrar um jogo que estava jogando novamente depois de uns dez anos, me disse: “Vê que som massa”, clicou no menu e …Plin. O som era um Plin de seleção de menu.
Eu …eu ri um pouco, eu nunca tinha jogado aquele jogo, aquilo não parecia massa pra mim, nem lindo, nem nada. Era só um Plin.

Isso se chama memória afetiva. Um som, uma cor, um gosto, algo que quando sentimos dispara uma sensação de “como era bom o meu passado…” ou como era ruim também.

Alguns produtos existem por causa da nossa memória afetiva. Tenho um espelho aqui que sua moldura plástica imita um modelo muito antigo, de madeira. Não é bonito, moderno, só um truque, o uso de nossa memoria afetiva para vender.
Filmes ruins são sempre excelentes na nossa memória. Alguém consegue ver algum seriado japonês dos anos oitenta com a mesma empolgação? Como sempre Benner diz, não reveja o que viu antes dos treze anos.

A memória afetiva pode tambem ser ruim, impedindo de tentar de novo. Algo que era pessimo a dez anos atrás, hoje pode ser ótimo, e vice-versa.
É dificil, quase impossível brigar com a memória afetiva, mas e bom saber que ela existe , e tentar medir as coisas com outros olhos, pedir a opnião dos outros, tentar de novo, sentir de novo, pensar de novo.

Suas memórias são importantes, mas elas não são  a única maneira de se lembrar do que passou.


A engenharia de software morreu – Longa vida a engenharia de software

Julho 21, 2009

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Tony DeMarco, um dos defensores da engenharia de software mudou de lado, não a lá Ronaldo Fofuxo, e sim em relação a engenharia de software, para ele,  ela morreu.

A engenharia de software, do jeito que é pensada é somente uma ferramente de propaganda pra vender produtos. É focada em prever o tempo em que um software será feito. A qualidade desta engenharia não está ligado em quanto o produto é bom para o usuário final, e sim se
foram seguidos alguns procedimentos  específicos. Não importa que estes procedimentos não se encaixem no software que esta sendo feito ou se não te auxilia em nada em relação a nada na construção do programa. Eles tem que ser seguidos, para a empresa chegar ao nível x de
qualidade, poder entrar em concorrências publicas.

A frase chave da engenharia de software é :Não se consegue controlar o que não se consegue medir.
Mas não é necessário controlar. É necessário observar, e tomar as medidas necessárias para não perder o caminho, não se perder nas múltiplas alternativas que o desenvolvimento de software lhe dá.

E o que é um software de sucesso? É aquele que satisfaz a ISO ou faz o que o cliente quer?

Em todas as áreas que trabalhei, quem se destacava era quem tinha responsabilidade pelo que fazia, se comprometendo por fazer o que prometia. Idepedente do cargo.

A Valve, uma das maiores empresas de jogos do mundo, só tem 120 pessoas. E como eles conseguem ser tão grandes? Segundo eles, só contratam “gente esperta”.

Nenhuma documentação bem feita, nenhum organograma organizado, nenhuma prática de engenharia , nada substitui gente de qualidade, em qualquer área.

Gente competente,responsável que goste de gente. É o que é necessário, em qualquer área para criar produtos de qualidade.

E o que é responsabilidade, o que é competência?

Responsabilidade aqui é a responsabilidade profissional,  é assumir  os interesses dos clientes na frente dos seus.

Competência é combinação de conhecimento, habilidades e comportamentos utilizados para desempenhar bem um papel especifico.

Eu troco toda e qualquer prática de engenharia de software por gente competente e responsável que se comunique bem.

A engenharia de software não morreu, pois ela nunca existiu. E se ela não existiu e sempre foi usada, continuará sendo usada, mesmo que morra. Não é nada pessoal. São somente negócios.

Sobre fazer software:
Fazendo  o StackOverflow: How Hard Could It Be?: The Unproven Path
FBI : Virtual Case Fil, a Falha de 100 milhões.


Qualidade ISO = Sinismo

Julho 20, 2009

Qualidade para a ISO é um projeto ser seguido, e um produto ser conforme o que se propôs.
Então, se o café for produzido com 50% de rejeito de milho, mas se isso estiver definido no projeto, não há problema, é um produto de qualidade.

Você pode fazer algo ainda melhor : Aplicar ISO 9000 no banheiro da empresa, e usar isso com diferencial de mercado. Mesmo que o banheiro seja uma pocilga, que isso fique claro.
Simplificando, Qualidade, Segundo a ISO ou qualquer outra organização NÃO QUER DIZER ABSOLUTAMENTE NADA SOBRE OS PRODUTOS DA EMPRESA.

Então, pra que serve a Qualidade? É parte do processo da fuga da responsabilidade, e nisso funciona muito bem.


Scrum – Ignorando o PO

Julho 19, 2009

Ignorando

Scrum é ótimo para o projeto de software, você terá de retorno em seis meses o que não teria com o Rupe em seis anos.

Mas más práticas sobrevivem a anos, e parecem ser meio dificeis de acabarem.

Em Scrum e fora do Scrum é comum ignorar o principal personagem no desenvolvimento de software, que em Scrum é chamado de Product Woner.

O Product Woner é o cara que quer o software, é ele que tem as necessidades , é pra ele que o software deve ser bom ou ruim, é ele quem é o dono da história.

Mas normalmente ele e ignorado. “Ei, este projeto precisa de um PO, vem tu que não ta fazendo nada”, é comum ver isso. Ele também não treinado em escrever historias, ele só é PO nas horas vagas. Por não ser PO “de verdade” , ele não tem responsábilidades sobre o software.
Também é comum a troca de PO, o que tambem é ruim, pois cada PO pode ter poderes e visões diferentes dentro da organização, o que vai levar o software em direções bem diferentes.

Um bom projeto de software gerando um produto ruim é um fenômento conhecido em qualquer metodologia.

Não existe desculpa aceitável para não existir PO bem treinando participando ativamente do desenvolvimento do projeto.

*Também acontece um péssimo projeto dar a luz um ótimo produto, o que é muito mais raro.


Fuga da responsabilidade

Julho 17, 2009

É difícil lidar com responsabilidades, ter que assumir riscos , ter que lidar com o impoderável.
Por isso existem vários mecanismos para distribuir a responsabilidade entre diversas pessoas dentro de uma organização.

Quando alguem é contratado, psicologo, doutores , quem tem interesse em preencher a vaga e as vezes até numerólogos/astrólogos entram no meio do processo de contratação.

Mas nada disso garante que o contratado sabe fazer o que ele diz que sabe fazer.

Então foi criado a certificação. Certificação java, Windows, Linux, php.

Estes certificados normalmente demonstram que você passou em um prova sobre aquele assunto : Java, Windows, etc, e não que você é um bom profissional naquela área.

Certificado é a ultima moda em fuga da responsabilidade: Se o profissional for ruim, quem o contratou pode dizer “Como eu poderia saber? Ele é certificado”.

Certificado normalmente significa que o candidato fez um prova teórica muito boa em alguma área. E se prova fosse prova de qualidade, nosso funcionalismo público seria um dois melhores do mundo.

Só existe uma prova cabal que o profissional é bom ou não: Coloque ele diante de um problema, lhe de as ferramentas, e veja como ele se comporta. E não pode ser um único teste: Os três meses inicias de contrato servem basicamente pra isso. Mas em 99% da tempo, quinze dias são suficientes para descobrir se o candidato é o ideal para o cargo.


Brasil e a desvalorização do trabalho braçal

Julho 8, 2009

Logo depois o descobrimento, muitos portugueses vieram ao Brasil tentando melhorar de vida.
Muitas mulheres que trabalhavam com artesanato também vieram, e chegando aqui, a surpresa: Trabalho manual era super desvalorizado, então muitas delas terminaram se prostituindo, pois era impossível ganhar a vida com o que faziam em Portugal.
Até hoje isso e comum, vejam que o Brasil é um dos poucos países do mundo que o técnico ganha mais que os atletas.

Isso gera algo estranho: Todo mundo no Brasil quer ser gerente, supervisor, qualquer coisa que não tenha trabalho manual, pois assim se sentirá valorizado.

Em parte , isso explica o fraco desenvolvimento da área de jogos de computador no Brasil , a equipe de execução é parte fundamental nesta área, é já que programador e toda a mão de obra necessário é desvalorizada, é quase impossível montar uma boa equipe.

Entram nesta área de execução também a fabricação de chips e montagem de equipamentos, em que somos extremamente não competitivos.

Isso faz parte da cultura brasileira, difícil de ser mudado, e junto com a educação de qualidade, é algo que necessitamos para o Brasil melhorar como pais.


Talento não é importante

Julho 7, 2009

Talento é super valorizado. Ele, sozinho, não é o segredo do sucesso.
Quem é mais talentoso, Dunga ou Zico?
Dunga nem era o melhor na sua posição, pois na época que ele jogava existia o Redondo , cabeça de areá argentino que era visto como o melhor do mundo.
O que Dunga tem mais que os outros é a persistência, a vontade de vencer. Ele não se importa em jogar feio, o importante é vencer e vencer.
Em qualquer área, talento é um ótimo ponto de partida, na realidade o ponto de partida ideal, mas ele, sozinho, não leva ninguém a lugar algum.